quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O EVANGELHO SEGUNDO
MARCOS
O evangelho segundo Marcos retrata o tempo do ministério público de Jesus. Começa narrado a vida de João Batista e o batismo de Jesus pelo mesmo. Termina com o sofrimento e com relatos dos encontroa de Jesus ressurreto. A ênfase dessa narrativa está nos atos de Jesus. Eles são apresentados de forma breve e nos dão uma visão nítidas dos milagres e feitos na Palestina e dos debates com os líderes dos Judeus. Também há relatos das palavras e discursos de Jesus, mas, se contrastados com os seus atos, estão em segundo plano.

Como já mencionamos, o evangelho segundo Marcos é o mais breve dos sinóticos. Desta forma se coloca como base para a pesquisa bíblica sobre os demais sinóticos. Quase todo o seu conteúdo está também em Mateus e Lucas. Assim, o estudo de Marcos antes dos outros sinóticos, facilitará a aprendizagem do conhecimento dessa matéria.
1.      Autoria
Uma vez que o título “segundo Marcos” foi acrescentado posteriormente, nada neste evangelho identifica seu autor pelo nome. O título provavelmente reflete a identificação feita na época patrística entre o autor deste evangelho e João Marcos (At 12.12 e 25; 13.5-13; 15.37-39; Cl 4.10; Fm 24; 2Tm 4.11). Este Marcos foi companheiro ou como alguns teólogos afirmam discípulo de Pedro (1Pe 5.13). Fora a identificação datada do século II, o evangelho não cita o nome de seu autor; portanto uma informação da igreja antiga.
No evangelho não há pontos de apoio para a posição de que foi João Marcos o seu autor. Há teólogos, que se referem ao jovem que, na hora em que Jesus foi preso, deixou o lençol com que se vestia nas mãos dos soldados (Mc 14.51). Acho pouco provável que Marcos queria se identificar dessa forma como o autor.
Uma constatação a que devemos dar mais valor vem do grande mestre e historiador Eusébio (239-339), que em seu livro a História Eclesiástica, cita o pai da igreja Papias, que viveu no início do século II e, assim, ainda tinha contato com a era apostólica. Papias escreveu uma “Exposição das palavras do Senhor”, na qual se baseia no Presbítero João que teria dito: “Marcos escreveu com exatidão, mas não em ordem, as palavras e atos do Senhor, dos quais, como interprete do apostolo Pedro, ele recordava. Pois ele mesmo não tinha ouvido e acompanhado o Senhor; mas, como dito, mais tarde seguiu a Pedro, que apresentava os seus ensinamentos de acordo com as necessidades dos seus ouvintes, mas não em forma completa dos discursos de Jesus. Por isso não é erro se Marcos anotou algumas coisas assim como a sua memória as ditava. Pois ele tinha grande preocupação: Não omitir nada do que tinha ouvido, e não se tornar culpado de alguma mentira no seu relato.
Com base na afirmação de Papias e sua confirmação por parte de outros escritores cristãos dos primórdios, o evangelho é tradicionalmente atribuído a Marcos o “interprete de Pedro” e situado em Roma após a morte de Pedro por volta de 64-67 d.C.
Alguns questionam a confiabilidade da informação de Papias. Os céticos se baseiam nas seguintes razões: se este evangelho foi escrito por João Marcos, originário de Jerusalém, o mesmo cometeu erro geográficos que uma pessoa de Jerusalém não podia cometer. Por exemplo, “Gerasa” não podia estar na outra margem do mar da Galileia (Mc 5.1). Também, não seria possível ir de Tiro ao mar da Galileia por Sidom e de lá chegar a Decápolis (Mc 7.31). Também a observação de que Jesus foi para o território da Judeia além do Jordão, não faria sentido (Mc 10.1). Como alguém de Jerusalém escreve para cristãos gentios? O relato sobre a morte de João Batista não se encaixa nos costumes da Palestina. Outro ponto que coloca em dúvida, é o fato do autor ter negligenciado o fato de que o relato do capitulo 6.35ss e 8.1ss são variantes de uma mesma história de multiplicação dos pães.
Mesmo sem entrar em discussão abrangente e detalhada sobre o assunto, poderíamos perguntar se de fato a região dos gerasenos é tão distante do mar da Galileia; porque não seria possível passar por Sidom para ir de Tiro ao mar da Galileia e por que o ministério além do Jordão seria impossível na viagem para Jerusalém?
Por isso creio que as informações de Papias são confiáveis.  
2.      Data, Local e Destino
A maior parte dos teólogos datam a escrita desse evangelho entre 65 e 70 d.C. Isso porque é sustentado no meio teológico que Marcos escreveu depois da morte de Pedro, que aconteceu durante as perseguições do Imperador Nero por volta de 67 d.C. O evangelho em si, especialmente no capitulo 13, indica ter sido escrito antes da destruição do Templo em 70 d.C. Com base nas orientações de Jesus, a igreja primitiva abandonou Jerusalém antes do cerco dos romanos e fugiu para Pela, na Peréia.  Isso sugere que estas informações teriam sido escritas ante de 66 d.C.
Papias sugere que o evangelho tenha sido escrito em Roma, porém esta não é a única fonte que embasa este pensamento, o “empréstimo de vocábulos latinos no texto grego e também pela atmosfera de perseguição iminente que permeia o evangelho” (Harrington, pag. 66).
É unanime a conclusão de que este evangelho foi escrito à igreja em Roma.

Sergio Levi

Fontes de Pesquisa: 
BÍBLIA. Português.Palavra Chave Hebraico-Grego. 3 edição. Rio de Janeiro: CPAD 2012.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo. 2 edição. São Paulo: Geografica 2013.
HARRINGTON, Daniel J. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2011.

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