quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O EVANGELHO SEGUNDO
LUCAS
O evangelho segundo Lucas, apresenta peculiaridades que o distinguem dos outros sinóticos. O autor apresenta o material que dispôs para escrever seu evangelho, como também apresenta o objetivo e método. Este é digno de um historiador, ou acadêmico. Ao ler este evangelho e o de Marcos, observamos que Marcos é seguido até a “grande lacuna” (Marcos 6.45-8.25). A complementação desse material está nas histórias sobre a infância de Jesus.
Neste evangelho a atenção especial é dada aos pecadores, aos marginalizados pela sociedade, às mulheres e aos pobres. Este e o livro de Atos dos Apóstolos formam uma unidade. Neste o autor apresenta a humanidade de Jesus, o seu ministério, sofrimento, morte e ressurreição. Nos Atos dos Apóstolos, o foco é a propagação do evangelho de Jerusalém até    Roma. 
Segundo Karris “existem sete testemunhas antigas sobre o autor: o Cânon Muratoriano, Irineu, O prólogo do Evangelho do final do século II, Tertuliano, Orígenes, Eusébio e Jerônimo”. Todas apontam um médico grego chamado Lucas como o escritor, ele escreveu para os seus patrícios que amavam a beleza, a poesia e a cultura.
Vamos ao testemunho sobre o autor. Irineu escreve: “Lucas, companheiro de viagem de Paulo, registrou o evangelho por este pregado em um livro”. No Cânon Muratóri (final do século II) lemos o seguinte: “O terceiro evangelho, segundo Lucas. Esse médico o escreveu depois da ascensão de Jesus quando Paulo o requisitou para guia de suas viagens, de acordo com o pensamento deste. Mas ele também não viu o Senhor em carne, e por isso, com base no seu conhecimento, ele também inicia a relatar desde o nascimento de João”.
Quem foi Lucas? Segundo Marcião, em seu prologo escrito no século IV, Lucas foi um sírio de Antioquia, médico de profissão, um discípulo de apostolo; mas tarde acompanhou Paulo até o martírio. Não teve esposa e nem filhos, faleceu aos 84 anos na Boécia, cheio do Espirito Santo.
Como vimos já existiam outros evangelhos – o de Mateus na Judéia e o de Marcos em Roma – Lucas escreve para as regiões da Acaia. Era necessário escrever para os cristãos gentios um relato exato da salvação, para que não fossem arrastados por mitologias judaicas e fantasias vazias e heréticas proveniente da filosofia grega.
As escrituras do Novo Testamento, confirmam algumas coisas sobre Lucas. Era médico e companheiro de Paulo (Cl 4.14; Fm 24; 2Tm 4.11). A narrativa das viagens de Atos, em primeira pessoa “nós”, levam a conclusão de que o autor era companheiro de Paulo nas viagens.
Entre os quatro evangelistas, Lucas é quem mais se aproxima do conceito atual de historiador. Cuidadoso no seu trabalho, se preocupou em narrar de maneira inteligente e ordenada tudo quanto sabia acerca da pessoa e do ministério de Jesus.
Conforme falamos neste estudo, Lucas usou o evangelho de Marcos como fonte para escrever. Assim, podemos concluir que este evangelho foi escrito depois da guerra de 70 d.C., uma vez que Lucas 21.5-38 pressupõe que Jerusalém foi destruída. Alguns colocam a data de 75 d.C., como certa. Assim estaríamos falando de um evangelho que fora escrito depois da destruição de Jerusalém, mas antes da perseguição aos cristãos por Domiciano entre 81-96 d.C.
A origem desse evangelho consta fora da Palestina, pois foi escrito por um cristão-gentio para cristãos-gentios.
O destino é claro os cristãos-gentios, mas o médico Lucas dedica o seu livro a Teófilo. Quem foi este? Segundo a tradição um homem culto e influente. Se era cristão não sabemos. De qualquer maneira, Lucas menciona que Teófilo era instruído em palavras. Isso pode significar que já fora instruído na fé em Jesus Cristo e que agora deveria ser fortalecido nela. Outros apontam Teófilo como funcionário romano, que recebera informações sobre os cristãos e agora queria informações confiáveis a respeito da fé cristã. É possível que quisesse se engajar na propagação desse livro entre os grupos que conheciam a fé cristã. Assim, este evangelho não é endereçado a um homem, mas a esse grupo de leitores.

Fontes de Pesquisa:

BÍBLIA. Português.Palavra Chave Hebraico-Grego. 3 edição. Rio de Janeiro: CPAD 2012.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo. 2 edição. São Paulo: Geografica 2013.
     Robert}. Karris, O.F.M. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2011.
  

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