CARACTERÍSTICAS TEOLÓGICAS E LITERÁRIAS
DO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS
Mateus era um evangelista cristão vindo do
judaísmo, conhecedor da Escritura, fiel a tradição. Isso fica evidente porque o
autor fala em “Reino dos Céus” e não em “Reino de Deus”, porque os judeus não
propiciavam o nome de Deus. Além de dispensar a explicação dos costumes dos
judeus, demonstrando que era fato corriqueiro. Um exemplo: Mateus 24.20 lemos
“Pedi para que a vossa fuga não seja no inverno nem no Sábado”. Agora a mesma
passagem aparece em Marcos 13.18, porém sem o acréscimo final (“nem no
sábado”), que é um acréscimo de Mateus por causa do costume Judeu.
Sua teologia é de simples compreensão, o mesmo não
podemos falar do seu caráter. Tradicionalmente compreendido como um evangelho
judaico-cristão. Percebe-se que o seu final é gentílico-cristão, assim podemos
compreender que o contato com o judaísmo foi rompido. Aqui temos a primeira
grande questão desse evangelho: Mateus está dentro ou fora do judaísmo? Supondo
que a comunidade de Mateus tivesse sido excluída do judaísmo, esta pergunta
esconde uma grande ambiguidade. Ainda que excluídos, muitos ainda se sentissem
judeus. E o autor parece sentir alguma magoa ao relatar fortes polemicas contra
os rabinos de Jâmnia no capitulo 23.
Para adentrarmos a teologia desse livro precisamos
dar uma resposta à questão levantada. Então pensemos desta maneira: Apesar da
amarga briga de família, o evangelho de Mateus traz uma predominantemente uma
perspectiva judaico-cristã, aberta para os gentios.
O escritor tem várias finalidades ao escrever:
instruir e exortar os membros de sua comunidade; talvez fornecer material para
leituras litúrgicas e sermões, mas também oferecer um discurso evangelístico
aos não cristãos, uma apologética e polemica aos críticos e rivais dos atos e
palavras de Jesus.
O autor parecer ter dois focos fundamentais,
mostrar Jesus como o Cristo e a chegada do Reino de Deus que Jesus proclama.
Isso fica evidente no começo do evangelho quando Jesus é apresentado como o
Filho de Deus e Emanuel, e no final quando Jesus se apresenta como aquele que
tem toda a autoridade (divina) como o Filho do Homem sobre o Reino de Deus, no
céu e na terra.
A estrutura desse evangelho demostra que Mateus deu valor superior
ao ensino de Jesus do que Marcos. No entanto, ele não ignora os atos e diálogos
de Jesus. Assim como Marcos ele registra
estes fatos, porém o cerne é o ensino.
Algumas questões foram formuladas como os rabinos
da época costumavam pensar. Por exemplo o costume de lavar as mãos (Mateus
15.2), os filactérios que eram usados nos braços (Mateus 23.5), as franjas nos
cantos das vestes (Mateus 23.5), a expressão “coais o mosquito e engolis o
camelo” (Mateus 23.24), lemos “túmulos caiados” (Mateus 23.27), as expressões
aramaicas transliteradas para o grego: raka, que significa tolo ou
idiota (Mateus 5.22) e korbanan, que é o tesouro do templo (Mateus
27.6). Outra questão é acerca do divórcio (Mateus 19.3-9).
Como já citado anteriormente, a expressão “Reino
dos Céus” em lugar de “Reino de Deus”, constatando a forte religiosidade
judaica do livro, constatando que a validade da lei não foi interrompida
(Mateus 5.19; 23.3).
É evidente que o propósito da teologia de Mateus é
demostrar que em Jesus se cumpriram as promessas messiânicas do Antigo
Testamento: Jesus é o Messias de Israel. Portanto, é impregnado tanto com
citações quanto a alusões ao Antigo Testamento, introduzindo muitas delas como
formula “para que se cumprisse”. No evangelho Jesus é apresentado como o “Filho
do Homem”, uma característica do caráter messiânico (Daniel 7.13 e 14). No
evangelho de Mateus, este título nos permite ver Jesus e sua missão de redenção
(Mateus 17.12,22; 20.28; 26.24), quanto ao seu retorno na glória (Mateus 13.41;
16.27; 19.28; 24.30 e 44; 26.64). Quando Mateus atribui a Jesus o título de
“Filho de Deus” claramente ele está mostrando a divindade de Jesus (Mateus
1.23; 2.15; 3.17; 16.16). Como Filho, Jesus tem um relacionamento direto e sem
mediação com o Pai (Mateus 11.27).
Outro assunto que permeia a teologia de Mateus é a
igreja, esta nova comunidade, que é chamada pelo mestre Jesus para viver a nova
ética do Reino dos Céus. Logo a igreja é o instrumento de Deus para cumprir os
seus objetivos na terra (Mateus 16.18; 18.15-20). Temos como exemplo a Grande
Comissão (Mateus 28.12-20), que é a garantia da presença viva de Jesus.
Fontes de Pesquisa:
BÍBLIA. Português.Palavra Chave Hebraico-Grego. 3 edição. Rio de Janeiro: CPAD 2012.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo. 2 edição. São Paulo: Geografica 2013.
Benedict T. Viviano, O.P. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2011.
Outro ponto que me chama atenção no evangelho de Mateus é a genealogia que ele apresenta sobre Cristo.
ResponderExcluirIncluindo mulheres ( vale apena lembra pra quem ele escrevia para os judeos) mulheres tais como:
Rute, moabita um povo que DEUS disse pra não se misturat, Raabe uma prostituta ,demonstrando que seu evangelho era de inclusão é não de exclusão.
Outra coisa é a narrativa sobre o nascimento de Jesus que diferente de Lucas que narra apartir da manjedoura ele narra o menino Jesus em casa ."E chegando em sua casa"
Outro ponto que me chama atenção no evangelho de Mateus é a genealogia que ele apresenta sobre Cristo.
ResponderExcluirIncluindo mulheres ( vale apena lembra pra quem ele escrevia para os judeos) mulheres tais como:
Rute, moabita um povo que DEUS disse pra não se misturat, Raabe uma prostituta ,demonstrando que seu evangelho era de inclusão é não de exclusão.
Outra coisa é a narrativa sobre o nascimento de Jesus que diferente de Lucas que narra apartir da manjedoura ele narra o menino Jesus em casa ."E chegando em sua casa"
Verdade!
ExcluirGostaria que os leitores pensassem nesta questão: Porque Mateus pega textos isolados do Antigo Testamento e os aplica a Cristo, mesmo que estes não são referentes ao Messias?
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