O
EVANGELHO SEGUNDO
MARCOS
II
CARACTERÍSTICAS TEOLÓGICAS E LITERÁRIAS
Marcos não é um historiador como Lucas. Antes é um
narrador que conta o que chegou ao seu conhecimento. Escreve em grego, com a
rustica característica de quem está usando um idioma que não lhe é próprio e,
contudo, desenvolve um estilo vivo e vigoroso.
Mesmo relatando coisa ouvidas que lhe vem à
memória, é capaz de criar a impressão de encontrar-se como testemunha ocular
dos fatos relatados. Estes detalhes tornam necessário o estudo da estrutura
literária e do conteúdo desse evangelho.
1. Estrutura Literária
Após a introdução, a primeira metade do evangelho
descreve a atividade de Jesus na Galileia e arredores. A segunda metade enfoca
a preparação para o sofrimento e Jesus em Jerusalém. A última metade um
discurso apocalíptico e a paixão de Cristo.
Esta estrutura destaca a autoridade (no grego exousia)
de Jesus. Assim que sabemos quem é Jesus (Mc 1.1-15), veremos sua autoridade se
revelando em obra e palavra (Mc 1.16-3.6), sua rejeição por parte dos Judeus
(Mc 3.7-6.6) e os discípulos equivocados acerca de Jesus (Mc 6.6b-8.21). Mas é no caminho para Jerusalém que Jesus
esclarece sua autoridade e explica suas consequências para os seus seguidores
(Mc 8.22-10.52). Em Jerusalém Jesus se depara com resistência a seu ensino (Mc
11.1-13,37) e enfrenta uma morte cruel e trágica nas mãos das pessoas que
rejeitaram sua autoridade (Mc14.1-16,8).
Assim Marcos criou o gênero literário do evangelho.
Paulo e outros dos primeiros cristãos usaram o termo evangelion, como as
“boas novas” sobre a ação de Deus em Jesus Cristo. Como o primeiro a escrever
um relato do ministério de Jesus de uma forma ordenada, Marcos parece ter
criado um modelo seguido e desenvolvido por outros evangelistas.
O estilo de Marcos agradava os romanos, uma mensagem direta. Tantas
vezes aparece a conjunção “e”. Este é o evangelho do ministério de Jesus. Os
romanos dos dias de Jesus era um tipo semelhante ao homem de negócios de hoje.
Ele não está interessado na genealogia de um rei, mas num Deus capaz de suprir
as necessidades diárias do indivíduo.
2. Teologia de Marcos
Marcos destaca em sua teologia o mesmo que Jesus
destacou em seu ministério terreno – o Reino de Deus. Tudo o que é ensinado por
Jesus e a resposta que os discípulos dão a este ensino, recebe sua estrutura no
Reino de Deus.
Jesus inicia o seu ministério pregando sobre o
Reino de Deus: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo.
Arrependei-vos e crede no evangelho. ”
No tempo de Jesus, o Reino de Deus se designava como a revelação do
senhorio de Deus no final da história e seu reconhecimento por parte de toda a
criação. Os ensinos de Jesus, seus milagres, as parábolas tudo tinha como
objetivo aprofundar a compreensão e, mostrar com antecipação como será a vida
no Reino de Deus. Mesmo estando em grande medida oculto, em Jesus o Reino de
Deus é inaugurado e antecipado. Podemos concluir que a vida de Jesus, era de
fato a maior demonstração do Reino de Deus.
Assim, a teologia de Marcos é sublime em seu
intento: qualquer pessoa que deseje entender o Reino de Deus deve olhar para
Jesus, o Servo que cura, o Servo que é Mestre por excelência, o Servo que foi
crucificado e ressurreto.
Os milagres relatados são equilibrados pelo retrato
da Paixão de Cristo que Marcos nos fornece. A medida que progride, o
desenvolvimento dramático cresce com intensidade, até alcançar o seu ápice, o
relato da Paixão, Crucificação e Ressurreição de Jesus. Cristo anuncia três
vezes esses acontecimentos: “O Filho do homem será entregue aos principais
sacerdotes e aos escribas... e o entregarão aos gentios; hão de... mata-lo; mas
depois de três dias, ressuscitará” (Mc 10.34 e 34; 8.31 e 9.31). Dentro dessa
estrutura teológica, há um amplo uso do acervo de títulos Cristológicos:
Messias, Filho de Deus, Filho do Homem, Senhor, Filho de Davi, Servo Sofredor e
Justo Sofredor.
Marcos revela o chamado de “segredo messiânico”.
Este termo surgiu dos vários episódios em que Jesus ordena que as pessoas
guardem silencio sobre sua ação ou identidade (Mc 1.34 e 44; 3.12; 5.43; 7.36;
8.26 e 30; 9.9). Harrington (2011), citando W. Wrede explicou “este fenômeno como
a forma de Marcos explicar o fato de que Jesus, em seu ministério público, nem
reivindicou ser o Messias, nem foi reconhecido como tal. A personalidade de
Jesus, não satisfez às expectativas judaicas, pois longe de se apresentar como
político e militar, o fez como um homem humilde cuja a atividade e ensinamentos
não correspondiam à imagem triunfante de um libertador nacional. Marcos como um
todo mostra que o significado real da messianidade de Jesus só se tornou claro
com a sua morte e ressurreição. Outro ponto que devemos observar, é que os
judeus esperavam um Messias com funções Políticas e Militares, talvez Marcos
não quisesse provocar as autoridades romanas.
Outro ponto marcante na teologia de Marcos, é a
preocupação com o discipulado. Segundo este evangelista, o ideal de discipulado
é “ouvir, seguir e estar com Jesus, compartilhando de sua missão de pregar e
curar”. Também, parece que Marcos que nos mostrar que o único modelo a ser
seguido é o de Cristo. Na primeira metade do evangelho, os discípulos são
retratados como exemplos a serem seguidos; na segunda parte, eles são exemplos
a serem evitados. Esta mudança destaca Jesus como o único que merece imitação. Jesus
de Nazaré, é o Filho de Deus, mas também é o Filho do Homem. Participa dos
sentimentos humanos e é sujeito ao sofrimento e à morte (Mc 8.31). Por isso
preenche todos os requisitos para ser o nosso modelo ideal.
Não entendam isso como uma polemica entre Marcos e
os discípulos, não nos esqueçamos que uma das fontes que cedeu material para a
elaboração desse evangelho foi o apostolo Pedro.
Sergio Levi
Fontes de Pesquisa:
BÍBLIA. Português.Palavra Chave Hebraico-Grego. 3 edição. Rio de Janeiro: CPAD 2012.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo. 2 edição. São Paulo: Geografica 2013.
HARRINGTON, Daniel J. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2011.
Muito bom mesmo professor
ResponderExcluirGostei do comentário!
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