O que é Evangelho e Evangelista
Os
evangelhos são as fontes principais de informações sobre a vida, a obra e o
sofrimento de Jesus Cristo. Muitos perguntam: Como estes escritos chegaram a
nós com o nome de “evangelho”? O que sobressai quando comparamos os quatro
evangelhos lado a lado? Porque apenas três evangelhos sinóticos, se foram
escritos quatro?
Tentaremos discutir e
dar respostas a essas questões, que são fundamentais para um entendimento claro
dos evangelhos.
O
termo grego evaggelion (evangelion),
significa no seu contexto original “pagamento pela transmissão de uma boa
notícia”. Com o passar do tempo, a expressão foi associada a “boa notícia”.
Com
o culto a César, no império romano esse termo assumiu um tom religioso. O
imperador era venerado como o salvador (soter)
e até como deus. O anuncio de seu nascimento e de sua subida ao trono era
considerado “boa notícia” ou “evaggelion”.
A
versão grega do Antigo Testamento traduz o termo hebraico besorah por evaggelion. O termo é derivado de a raiz bisar. Quando usado no contexto
religioso, besorah significa a
salvação vindoura, a época da salvação que terá início no fim dos tempos.
Neste contexto, a
palavra grega evaggelion se refere às
“boas novas” ou “alegres novas” acerca do salvador Jesus Cristo, que foi
oralmente proclamado pelos anjos, pelo Pai celestial, e mais tarde veio a ser também
por escrito. Por este motivo que os evangelhos não podem ser considerados
apenas biografias de Jesus, uma análise cuidadosa nos mostrará que não era
interesse dos escritores dos evangelhos descrever a vida de Jesus, ou
desenvolver relatos de aparência externa. Os dados biográficos são escassos, as
ações de Jesus não estão apresentadas em ordem cronológica. Em vez disso os
evangelhos como “boas novas” de Jesus Cristo em forma escrita, tem por objetivo
despertar e fortalecer a fé da igreja e de seus leitores, como está declarado
em João 20.31.
A
igreja primitiva considerou somente os quatro evangelhos, da forma que os
conhecemos, como dotados de autoridade e divinamente inspirados. Os motivos
foram vários, mas os principais foram a tradição e o objetivo. Tradição, porque
dois desses escritores foram testemunhas oculares dos fatos, os demais foram
discípulos de testemunhas oculares, tal tradição é comprometida com as palavras
faladas e com os atos de Jesus. O objetivo era embasar a fé dos novos
convertidos em ambiente solido, assim os evangelhos surgiram das necessidades
praticas das igrejas que em sua tarefa missionaria e discipuladora necessitavam
de um fundamento escrito da fé cristã.
Os
evangelhos foram distinguidos uns dos outros pela preposição grega Kata (segundo), acompanhada pelo nome do
escritor. A presente ordem dos quatro evangelhos remonta pelos menos ao final
do segundo século, e cria-se ser esta ordem em que eles foram escritos.
Quanto
ao idioma, alguns teorizam que os evangelhos foram escritos originalmente em
Aramaico, não há evidencia real para esta teoria. Os habitantes da Palestina
falavam aramaico e grego, e muitos o hebraico e o latim. O grego, era o idioma
comum de todo o império, e por isso o mais adequado veículo para as narrativas
dos evangelhos.
Os
evangelistas
Tradicionalmente,
os autores dos quatro evangelhos recebem o nome de “evangelistas”, título que a
igreja primitiva dava às pessoas a quem, de modo especifico, se confiava a
função de anunciar a “boa nova de Jesus Cristo”.
A
obra desses evangelistas nutriu-se especialmente das memorias que, foram
guardadas no seio da igreja como um tesouro precioso. Essas memorias eram
transmitidas nos cultos, nos ensinamentos e nas atividades missionárias, isto
é, na pregação oral. Pensem como era prazeroso para os discípulos testemunharem
acerca da morte do Salvador? Confesso que sinto grande alegria, ao imaginar
Tomé, testemunhado que tocou no corpo ressurreto do nosso amado Senhor!
Sergio Levi
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo, 2 edição. São Paulo, 2013.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo Palavra Chave, 3 edição. Rio de Janeiro, 2012.
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