terça-feira, 18 de outubro de 2016

CARACTERÍSTICAS TEOLÓGICAS E LITERÁRIAS
DO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

Mateus era um evangelista cristão vindo do judaísmo, conhecedor da Escritura, fiel a tradição. Isso fica evidente porque o autor fala em “Reino dos Céus” e não em “Reino de Deus”, porque os judeus não propiciavam o nome de Deus. Além de dispensar a explicação dos costumes dos judeus, demonstrando que era fato corriqueiro. Um exemplo: Mateus 24.20 lemos “Pedi para que a vossa fuga não seja no inverno nem no Sábado”. Agora a mesma passagem aparece em Marcos 13.18, porém sem o acréscimo final (“nem no sábado”), que é um acréscimo de Mateus por causa do costume Judeu.
Sua teologia é de simples compreensão, o mesmo não podemos falar do seu caráter. Tradicionalmente compreendido como um evangelho judaico-cristão. Percebe-se que o seu final é gentílico-cristão, assim podemos compreender que o contato com o judaísmo foi rompido. Aqui temos a primeira grande questão desse evangelho: Mateus está dentro ou fora do judaísmo? Supondo que a comunidade de Mateus tivesse sido excluída do judaísmo, esta pergunta esconde uma grande ambiguidade. Ainda que excluídos, muitos ainda se sentissem judeus. E o autor parece sentir alguma magoa ao relatar fortes polemicas contra os rabinos de Jâmnia no capitulo 23.
Para adentrarmos a teologia desse livro precisamos dar uma resposta à questão levantada. Então pensemos desta maneira: Apesar da amarga briga de família, o evangelho de Mateus traz uma predominantemente uma perspectiva judaico-cristã, aberta para os gentios.
O escritor tem várias finalidades ao escrever: instruir e exortar os membros de sua comunidade; talvez fornecer material para leituras litúrgicas e sermões, mas também oferecer um discurso evangelístico aos não cristãos, uma apologética e polemica aos críticos e rivais dos atos e palavras de Jesus.
O autor parecer ter dois focos fundamentais, mostrar Jesus como o Cristo e a chegada do Reino de Deus que Jesus proclama. Isso fica evidente no começo do evangelho quando Jesus é apresentado como o Filho de Deus e Emanuel, e no final quando Jesus se apresenta como aquele que tem toda a autoridade (divina) como o Filho do Homem sobre o Reino de Deus, no céu e na terra.
A estrutura desse evangelho demostra que Mateus deu valor superior ao ensino de Jesus do que Marcos. No entanto, ele não ignora os atos e diálogos de Jesus.  Assim como Marcos ele registra estes fatos, porém o cerne é o ensino.  
Algumas questões foram formuladas como os rabinos da época costumavam pensar. Por exemplo o costume de lavar as mãos (Mateus 15.2), os filactérios que eram usados nos braços (Mateus 23.5), as franjas nos cantos das vestes (Mateus 23.5), a expressão “coais o mosquito e engolis o camelo” (Mateus 23.24), lemos “túmulos caiados” (Mateus 23.27), as expressões aramaicas transliteradas para o grego: raka, que significa tolo ou idiota (Mateus 5.22) e korbanan, que é o tesouro do templo (Mateus 27.6). Outra questão é acerca do divórcio (Mateus 19.3-9).  
Como já citado anteriormente, a expressão “Reino dos Céus” em lugar de “Reino de Deus”, constatando a forte religiosidade judaica do livro, constatando que a validade da lei não foi interrompida (Mateus 5.19; 23.3). 
É evidente que o propósito da teologia de Mateus é demostrar que em Jesus se cumpriram as promessas messiânicas do Antigo Testamento: Jesus é o Messias de Israel. Portanto, é impregnado tanto com citações quanto a alusões ao Antigo Testamento, introduzindo muitas delas como formula “para que se cumprisse”. No evangelho Jesus é apresentado como o “Filho do Homem”, uma característica do caráter messiânico (Daniel 7.13 e 14). No evangelho de Mateus, este título nos permite ver Jesus e sua missão de redenção (Mateus 17.12,22; 20.28; 26.24), quanto ao seu retorno na glória (Mateus 13.41; 16.27; 19.28; 24.30 e 44; 26.64). Quando Mateus atribui a Jesus o título de “Filho de Deus” claramente ele está mostrando a divindade de Jesus (Mateus 1.23; 2.15; 3.17; 16.16). Como Filho, Jesus tem um relacionamento direto e sem mediação com o Pai (Mateus 11.27).
Outro assunto que permeia a teologia de Mateus é a igreja, esta nova comunidade, que é chamada pelo mestre Jesus para viver a nova ética do Reino dos Céus. Logo a igreja é o instrumento de Deus para cumprir os seus objetivos na terra (Mateus 16.18; 18.15-20). Temos como exemplo a Grande Comissão (Mateus 28.12-20), que é a garantia da presença viva de Jesus. 

Fontes de Pesquisa:

BÍBLIA. Português.Palavra Chave Hebraico-Grego. 3 edição. Rio de Janeiro: CPAD 2012.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo. 2 edição. São Paulo: Geografica 2013.
     Benedict T. Viviano, O.P. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2011.


4 comentários:

  1. Outro ponto que me chama atenção no evangelho de Mateus é a genealogia que ele apresenta sobre Cristo.
    Incluindo mulheres ( vale apena lembra pra quem ele escrevia para os judeos) mulheres tais como:
    Rute, moabita um povo que DEUS disse pra não se misturat, Raabe uma prostituta ,demonstrando que seu evangelho era de inclusão é não de exclusão.
    Outra coisa é a narrativa sobre o nascimento de Jesus que diferente de Lucas que narra apartir da manjedoura ele narra o menino Jesus em casa ."E chegando em sua casa"

    ResponderExcluir
  2. Outro ponto que me chama atenção no evangelho de Mateus é a genealogia que ele apresenta sobre Cristo.
    Incluindo mulheres ( vale apena lembra pra quem ele escrevia para os judeos) mulheres tais como:
    Rute, moabita um povo que DEUS disse pra não se misturat, Raabe uma prostituta ,demonstrando que seu evangelho era de inclusão é não de exclusão.
    Outra coisa é a narrativa sobre o nascimento de Jesus que diferente de Lucas que narra apartir da manjedoura ele narra o menino Jesus em casa ."E chegando em sua casa"

    ResponderExcluir
  3. Gostaria que os leitores pensassem nesta questão: Porque Mateus pega textos isolados do Antigo Testamento e os aplica a Cristo, mesmo que estes não são referentes ao Messias?

    ResponderExcluir