segunda-feira, 5 de setembro de 2016



Pessoas com Deficiências também Carecem da Salvação

A inclusão de pessoas com deficiência não deve ser vista apenas como política pública, mas como a maior expressão do amor de Deus. Porque o Pai Celeste, amando-nos como nos ama, enviou o seu Filho ao mundo, para que todos viéssemos experimentar a salvação em sua plenitude. Iniciaremos este tópico, buscando uma definição que descreva corretamente a pessoa com deficiência.

1.    Definição. Pessoa com deficiência é a que se acha privada quer de seus sentidos, quer de seus movimentos, ou do pleno uso de suas faculdades mentais. Nessa definição acham-se os cegos, mudos, surdos, paraplégicos e tetraplégicos, os autistas e os que têm a síndrome de Down. Deveríamos incluir, também, os que se encontram acometidos pela doença de Alzheimer. Aliás, com o envelhecimento da população, cresce o número de idosos que, mais cedo ou mais tarde, poderão apresentar algum tipo de deficiência. Por isso, estejamos atentos aos anciãos, entre os quais faremos preciosas colheitas para a Seara do Mestre. Segundo a Organização Mundial de Saúde, “deficiência é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica”.

2.    Nem inaptos nem desculpáveis. No que tange à salvação das pessoas com deficiências, ou limitações, há pelo menos dois posicionamentos errados. O primeiro é o que não as contempla como alvo do evangelho e aptas a servirem a Deus. Simplesmente não se ocupa delas e não as incluem nos projetos evangelísticos. O segundo é o que as vê como desculpáveis e já santificadas pelo sofrimento. No passado, certos enfermos suscitavam compaixão e chegavam a ser chamados de “santinhos”. E, para reverenciá-los, algumas pessoas tocavam-nos como se deles pudessem receber alguma virtude. Enganosamente, muitos veem como não condenáveis os indivíduos com deficiências, ou limitações, como se a entrada no céu lhes fosse franqueada em compensação das dificuldades enfrentadas na vida terrena. Mas a Palavra de Deus é clara: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Com ou sem deficiências, todos nascemos pecadores e estamos “debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se zeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.1012). Infelizmente, achar que os indivíduos mental ou fisicamente limitados não carregam, em si, a natureza de Adão é mais cômodo, porque libera a igreja da tarefa de evangelizá-los e integrá-los espiritual e socialmente ao corpo de Cristo. Eis, portanto, um desafio que enfrentaremos com amor e prontidão. Sei que a tarefa não é fácil, pois a evangelização das pessoas com deficiência requer esforços concentrados e específicos. No entanto, temos de falar de Cristo aos que não ouvem, mostrar as belezas da vida cristã aos que não veem, apontar o caminho da salvação aos que não conseguem andar e discorrer sobre a razão da nossa fé aos que não logram pensar com clareza. Esta é a nossa missão: tornar o evangelho acessível a todos, inclusive aos que trazem alguma deficiência. Ajamos, pois, como seus olhos, ouvidos, boca e pernas, pois assim agiu o Senhor Jesus em seu ministério terreno.

3.    Carentes e ao alcance da graça. A verdade é que todos precisam ser alcançados pelas Boas Novas: os que enxergam bem, os que veem pouco e os que nada veem; os que escutam e falam, os que não ouvem nem falam; os que aprendem rápido e os que precisam de mais tempo para aprender; os que caminham com as próprias pernas e os que usam cadeiras de rodas, próteses ou muletas; os autistas, aqueles com síndrome de Down, com dislexia, com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, com paralisia cerebral, epilepsia... Todos devem ser conscientizados de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Nesse sentido, cabe-nos uma reflexão. Se o governo, com suas políticas ineficazes e, às vezes, fundamentadas em ideologias contrárias ao cristianismo, busca integrar as pessoas com deficiência à sociedade, por que deixaríamos nós, a Igreja de Cristo, de cumprir nossa obrigação? Além do mais, o Senhor Jesus adverte-nos seriamente a respeito de nossa inércia evangelística: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20, ARA). O que isso significa? Antes de tudo, que devemos fazer um trabalho de comprovada excelência; um trabalho que venha a exceder, em muito, ao que o Estado diz realizar.

Extraído do Livro: O desafio da Evangelização - Claudionor de Andrade.


 

Um comentário:

  1. Muitas igrejas se deixam a desejar quando se trata desse assunto, nem todas tem espaços adequados e nem pessoas qualificadas para tal atendimento, justamente porque nunca se pensou nessa inclusão, e quando se pensa a resposta é (custo), hoje muitas igrejas pensam como empresas se para ela aquela vida vai gerar algum lucro será bem vinda, caso não dispensa não será útil ao trabalho, lideranças que deixaram de amar o ser humano e passou a amar o dinheiro em 1º até o Criador de todas as coisas perdeu sua posição, portando isso é mais uma das situações que a igreja deixa a desejar e prefere ficar no anonimato.

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