Mudar para receber
Para ser inclusiva, a igreja deve: a)
possibilitar o acesso de pessoas com deficiência ao templo e facilitar o
trânsito por suas dependências, como salas de Escola Dominical, banheiros e
cantina; e b) apresentar a mensagem evangelística levando em conta as
limitações da audiência e os diferentes estilos de aprendizagem. Cada igreja,
conforme a sua realidade, deve adaptar-se a m de cumprir o que diz a lei dos
homens (Lei 13.146, de 6 de julho de 2015) e a do Reino (Mc 16.15-18). Existem
inúmeros recursos que auxiliam a inclusão. Abaixo, destacamos os principais:
1. Rampas, elevadores e barras. Estes recursos destinam-se àqueles que usam cadeira de
rodas. A inclinação das rampas seguirá as normas estabelecidas por lei. As
portas dos elevadores, e também as demais passagens do templo, serão largas o
bastante para possibilitar o trânsito dos cadeirantes. Todos os acessos da
igreja serão sinalizados com o Símbolo Internacional de Acesso. Nenhuma área de
circulação será obstruída com móveis. Nos banheiros, o lavatório terá altura
apropriada, e ao menos um box com mobília adequada (vaso sanitário próprio e
barras laterais).
2. Sinalização em relevo. São os pisos e mapas táteis que alertam as pessoas com deficiência
visual quanto à topografia do ambiente. Ao sentir, com as mãos ou com os pés,
as informações em relevo, o indivíduo poderá circular com maior segurança e
independência pelos recintos. Essa sinalização adverte, entre outras coisas,
quanto à presença de degraus, rampas, elevadores, portas, janelas e telefones
públicos.
3. A Bíblia em Braile. O braile é um sistema de leitura e de escrita para pessoas com deficiência
visual. Foi inventado pelo francês Louis Braille em 1827.
No
Brasil, a primeira Bíblia em Braile foi lançada em 30 de novembro de 2002 pela
Sociedade Bíblica do Brasil. Essa Bíblia é composta por vários volumes e está
disponível na Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Pessoas, bibliotecas e
instituições de apoio podem se cadastrar nos programas sociais da SBB e receber
os volumes gratuitamente.
4. A linguagem brasileira de sinais, ou Libras. É um sistema linguístico que
comunica fatos, conceitos e sentimentos por meio de gestos, expressões faciais
e linguagem corporal. Essa língua, que possui regras gramaticais próprias, é a
usada pela maioria das pessoas com deficiência auditiva no Brasil, com pequenas
variações regionais. Na igreja, os cultos e aulas de Escola Dominical podem ser
facilmente traduzidos à linguagem brasileira de sinais por um obreiro treinado.
Ações evangelísticas em hospitais e centros de apoio às pessoas com deficiência
auditiva também podem ser realizadas de forma mais proveitosa se os crentes
enviados souberem transmitir as Boas-Novas em Libras. O acesso ao aprendizado
das Libras felizmente é facilitado pela internet. É possível achar bons
manuais, dicionários de Libras e vídeo-aulas gratuitos. A professora Siléia
Chiquini, da Assembleia de Deus em Curitiba, vem desenvolvendo um grande
trabalho junto aos surdos, por meio do Ministério Mãos Ungidas. Na internet,
ela compartilha seu trabalho e experiência com os que desejam fazer a voz
divina bem audível aos que não podem ouvir a voz humana.
5. O professor mediador. A m de que o ensino bíblico seja inclusivo, as classes de Escola
Dominical não devem agrupar, em uma sala à parte, as pessoas com deficiência,
ou com transtornos que dificultem o aprendizado. Entretanto, os alunos com deficiência
precisam, em sua maioria, de maior atenção e cuidados. Nesse processo, o
professor mediador é o responsável por adaptar à realidade do aluno com deficiência
o conteúdo que o professor regente transmite à classe e as atividades
realizadas pelos demais educandos. O mediador deve considerar a limitação do
aluno especial, o seu ritmo e estilo de aprendizagem. Esse profissional também
é responsável por facilitar a interação social do aluno com deficiência,
evitando que que isolado dos demais. Se o nosso objetivo é incluir a todos,
devemos estimular e treinar pedagogos, ditadas e obreiros a que se dediquem a
esse ministério. É uma tarefa que demanda não apenas conhecimentos bíblicos,
mas igualmente instruções pedagógicas, didáticas e psicológicas específicas.
Hoje, graças a Deus, contamos com profissionais competentes entre os membros de
nossas igrejas, que muito poderão ajudar-nos no cumprimento dessa missão.
Portanto, ninguém cará de fora do Plano da Salvação.
Extraído do Livro de Apoio para a EBD - Os desafios da Evangelização, Claudionor de Andrade.
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