sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O que é Evangelho e Evangelista

Os evangelhos são as fontes principais de informações sobre a vida, a obra e o sofrimento de Jesus Cristo. Muitos perguntam: Como estes escritos chegaram a nós com o nome de “evangelho”? O que sobressai quando comparamos os quatro evangelhos lado a lado? Porque apenas três evangelhos sinóticos, se foram escritos quatro?
     Tentaremos discutir e dar respostas a essas questões, que são fundamentais para um entendimento claro dos evangelhos.

O termo grego evaggelion (evangelion), significa no seu contexto original “pagamento pela transmissão de uma boa notícia”. Com o passar do tempo, a expressão foi associada a “boa notícia”.
Com o culto a César, no império romano esse termo assumiu um tom religioso. O imperador era venerado como o salvador (soter) e até como deus. O anuncio de seu nascimento e de sua subida ao trono era considerado “boa notícia” ou “evaggelion”.

A versão grega do Antigo Testamento traduz o termo hebraico besorah por evaggelion.  O termo é derivado de a raiz bisar. Quando usado no contexto religioso, besorah significa a salvação vindoura, a época da salvação que terá início no fim dos tempos.

     Neste contexto, a palavra grega evaggelion se refere às “boas novas” ou “alegres novas” acerca do salvador Jesus Cristo, que foi oralmente proclamado pelos anjos, pelo Pai celestial, e mais tarde veio a ser também por escrito. Por este motivo que os evangelhos não podem ser considerados apenas biografias de Jesus, uma análise cuidadosa nos mostrará que não era interesse dos escritores dos evangelhos descrever a vida de Jesus, ou desenvolver relatos de aparência externa. Os dados biográficos são escassos, as ações de Jesus não estão apresentadas em ordem cronológica. Em vez disso os evangelhos como “boas novas” de Jesus Cristo em forma escrita, tem por objetivo despertar e fortalecer a fé da igreja e de seus leitores, como está declarado em João 20.31.

A igreja primitiva considerou somente os quatro evangelhos, da forma que os conhecemos, como dotados de autoridade e divinamente inspirados. Os motivos foram vários, mas os principais foram a tradição e o objetivo. Tradição, porque dois desses escritores foram testemunhas oculares dos fatos, os demais foram discípulos de testemunhas oculares, tal tradição é comprometida com as palavras faladas e com os atos de Jesus. O objetivo era embasar a fé dos novos convertidos em ambiente solido, assim os evangelhos surgiram das necessidades praticas das igrejas que em sua tarefa missionaria e discipuladora necessitavam de um fundamento escrito da fé cristã.

Os evangelhos foram distinguidos uns dos outros pela preposição grega Kata (segundo), acompanhada pelo nome do escritor. A presente ordem dos quatro evangelhos remonta pelos menos ao final do segundo século, e cria-se ser esta ordem em que eles foram escritos.

Quanto ao idioma, alguns teorizam que os evangelhos foram escritos originalmente em Aramaico, não há evidencia real para esta teoria. Os habitantes da Palestina falavam aramaico e grego, e muitos o hebraico e o latim. O grego, era o idioma comum de todo o império, e por isso o mais adequado veículo para as narrativas dos evangelhos.

Os evangelistas

Tradicionalmente, os autores dos quatro evangelhos recebem o nome de “evangelistas”, título que a igreja primitiva dava às pessoas a quem, de modo especifico, se confiava a função de anunciar a “boa nova de Jesus Cristo”.

A obra desses evangelistas nutriu-se especialmente das memorias que, foram guardadas no seio da igreja como um tesouro precioso. Essas memorias eram transmitidas nos cultos, nos ensinamentos e nas atividades missionárias, isto é, na pregação oral. Pensem como era prazeroso para os discípulos testemunharem acerca da morte do Salvador? Confesso que sinto grande alegria, ao imaginar Tomé, testemunhado que tocou no corpo ressurreto do nosso amado Senhor!

Sergio Levi 

BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo do Discípulo, 2 edição. São Paulo, 2013.
BÍBLIA. Português. A Bíblia de Estudo Palavra Chave, 3 edição. Rio de Janeiro, 2012.
      

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Fatos Narrados
Fatos narrados nos mesmos evangelhos: a purificação do templo (João 2.13-25; Mateus 21.12-17; Marcos 11.15-18 e Lucas 19.45-48), A multiplicação dos pães e peixes (João 6.1-15; Mateus14.13-21; Marcos 6.30-44 e Lucas 9.10-17), Jesus anda sobre o mar (João 6.16-21; Mateus 14.23-36 e Marcos 6.45-56).
            Apesar dos evangelhos sinóticos conterem muito mais relatos da vida de Jesus, os mesmo são menores e, sempre culminam com uma declaração marcante, porém o leitor desses evangelhos não descobrem nada sobre outros aspectos dos personagens e locais envolvidos na historia, isso porque os personagens contribuem apenas para o objetivo da declaração do relato. João dá mais detalhes dos personagens, isso fica evidente no dialogo com a mulher em Samaria, na cura do cego, na cura do homem que padecia em Betesda, na ressurreição de Lazaro, em na paixão e na ressurreição de Cristo.
            A apresentação dos discursos de Jesus é diferente, nos sinóticos eles consistem em frases curtas e fáceis de serem decoradas. Parece que seus escritores fizeram uma coletânea de citações dos discursos de Jesus. João, laca o seu leitor a uma reflexão e meditação, em seu evangelho encontramos discursos maiores e mais ricos em detalhes. Fica fácil para o leitor se imaginar no relato da ressurreição de Lazaro, fica fácil se imaginar como a ovelha do Bom Pastor. O estilo da oratória e da escrita nos sinóticos é linear, objetivo e direto. No evangelho de João, o desenvolvimento das ideias se dá em círculos, são constantes as repetições – não são meras repetições. O pensamento de João é repetido, para que possamos interiorizar cada historia e detalhe.

            Jesus se apresenta de forma diferente nos sinóticos e no evangelho de João. Nos sinóticos Ele se apresenta como o bar naschah , ou o Filho do Homem, ou Homem. Nos sinóticos este é o conceito chave para a compreensão de quem é Jesus. No evangelho de João, Jesus é apresentando como o Filho do Homem, no entanto, é frequente a autodenominação Filho de Deus ou Filho. Com isso vemos como era especial o relacionamento entre Jesus e o Deus. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

   O mundo no Tempo dos Evangelhos
Os evangelhos foram escritos durante o império Romano. Este reino teve o seu inicio por volta de 753 a.C., depois de 500 anos de guerras tornou-se o poderoso Império Romano. Seu primeiro imperador foi Augusto. Seu reino foi de 27 a.C. até 14 a.C.. Depois dele houve outros imperadores,  porém os mais conhecidos foram Nero e Constantino.
Jesus nasceu durante o reinado de Augusto, morreu e ressuscitou durante o reinado de Tibério, que reinou de 14 a 37 d.C.. A Palestina esteve sob o jugo romano de 63 a.C. até 135 d.C.. Quando Jesus nasceu o rei da Judeia era Herodes, o Magno.
Se por um lado Augusto preparou o mundo para um avivamento da literatura, da música, da arte dramática e da arquitetura. Por outro nada pode fazer para melhorar as condições morais e espirituais. Se o império Romano foi capaz de construir grandes façanhas da arquitetura, como o Panteon, o Coliseu e outras maravilhas arquitetônicas. Por outro, não foi capaz de construir se quer uma ponte para uma vida espiritual melhor.
  A religiosidade da época
O cristianismo nasceu e se desenvolveu em um ambiente hostil, abaixo destaco as quatro principais religiões dessa época.
a)      Animismo – Religião primitiva de Roma; idolatra e de má índole, vemos em Atos 19.34 e 35, um exemplo dessa religião. Adorava-se a Júpiter, Netuno, Plutão entre outros.
b)      Culto ao Imperador – Neste o objeto de adoração era o Imperador. Davam-lhes o louvor, o nome e a adoração como a um deus. Por não aceitarem e não praticarem este culto, os cristãos foram perseguidos e mortos.
c)      Religiões Místicas – Adoravam pessoas mortas, como se ao morrer elas se tornassem deuses.
d)     Ocultismo – Praticas como a astrologia, zodíaco e o horoscopo, eram populares nestas épocas. Invocação a espíritos das florestas e a magia com animais mortos.

Neste ambiente cheio de idolatria, Deus inspira quatros homens para que escrevessem não apenas uma biografia do humilde Galileu, mas que deixassem registradas as Palavras de vida eterna e libertação proferidas pelo Verbo de Deus.

Diante desses relatos históricos, fica evidente que a onde “O pecado reinou, superabundou a Graça de Deus”. Se por uma lado havia pessoas sem Deus, por outro havia uma igreja que amava ao Eterno Salvador.

Sergio Levi
OS EVANGELHOS
O QUE JESUS FEZ E ENSINOU


Ainda que os Evangelhos não apresentem objetivos específicos, quanto a sua abordagem, todavia, eles alcançam certos alvos, através dos seus respectivos temas. Cada escritor empregou seu próprio estilo e apresentou de forma especial aspectos da Pessoa e do ministério de Jesus. Inspirados pelo Espirito Santo, deixaram uma “mina de ouro” que nos comunica riquezas daquele que nos enriquece com “todas as bênçãos espirituais”.  Nesta mina foi nos revelado o Cristo Rei, Servo, Filho do Homem, Filho de Deus, Salvador, e a doce fragrância do calvário que nos trouxe vida e esperança.
Os Evangelhos revelam o tríplice ministério de Cristo. Ele é apresentado como Profeta, Sacerdote e Rei.
Como Profeta, Ele cumpriu a predição de Moisés (Dt 18.15-22). Por ser único, foi o Profeta perfeito. Ele não somente falou com Deus, Deus falou através dEle, na qualidade de Seu Filho Amado (Hb 1.1 e 2). Sendo Deus, é revelado como a voz do próprio Deus.
Como Sacerdote, Ele o Cordeiro de Deus, tornou o sacrifício vivo, puro e agradável de nossa redenção total (Hb 9.14). Hoje, continua a sua obra Sacerdotal à destra do Pai, intercedendo pelos pecadores (Hb 7.25 e 26).
Como Rei, ainda que rejeitado em Sua primeira vinda, o testemunho dos Evangelhos e toda a Escritura é que Ele possui um reino que jamais terá fim, cumprindo-se Nele o concerto feito por Deus ao seu Servo Davi (2 Sm 7.8-16; Lc 1.30-33, At 2.29-36; 15.14-17).

Resta-nos cavar e procurar com zelo e adoração as preciosidades de cada Evangelho. Que tenhamos fome, e com a ajuda do Espirito Santo possamos sentir nossa alma satisfeita com o “Pão da Vida”. Que possamos ter sede, e que o Espirito Santo nos leve aos mananciais da fonte da “Agua da Vida”. Que nosso coração se curve, como os magos, em uma adoração singela ao “Rei dos reis”. Que as palavras de Cristo, possam ser para todos nós, como um favo de mel, agradável ao paladar, e que todos os dias espirito, alma e corpo estejam prontos para receber as riquezas da Graça de Deus contidas no Evangelho.

Sergio Levi!

terça-feira, 6 de setembro de 2016



Mudar para receber
Para ser inclusiva, a igreja deve: a) possibilitar o acesso de pessoas com deficiência ao templo e facilitar o trânsito por suas dependências, como salas de Escola Dominical, banheiros e cantina; e b) apresentar a mensagem evangelística levando em conta as limitações da audiência e os diferentes estilos de aprendizagem. Cada igreja, conforme a sua realidade, deve adaptar-se a m de cumprir o que diz a lei dos homens (Lei 13.146, de 6 de julho de 2015) e a do Reino (Mc 16.15-18). Existem inúmeros recursos que auxiliam a inclusão. Abaixo, destacamos os principais:
1.      Rampas, elevadores e barras. Estes recursos destinam-se àqueles que usam cadeira de rodas. A inclinação das rampas seguirá as normas estabelecidas por lei. As portas dos elevadores, e também as demais passagens do templo, serão largas o bastante para possibilitar o trânsito dos cadeirantes. Todos os acessos da igreja serão sinalizados com o Símbolo Internacional de Acesso. Nenhuma área de circulação será obstruída com móveis. Nos banheiros, o lavatório terá altura apropriada, e ao menos um box com mobília adequada (vaso sanitário próprio e barras laterais).
2.      Sinalização em relevo. São os pisos e mapas táteis que alertam as pessoas com deficiência visual quanto à topografia do ambiente. Ao sentir, com as mãos ou com os pés, as informações em relevo, o indivíduo poderá circular com maior segurança e independência pelos recintos. Essa sinalização adverte, entre outras coisas, quanto à presença de degraus, rampas, elevadores, portas, janelas e telefones públicos.
3.      A Bíblia em Braile. O braile é um sistema de leitura e de escrita para pessoas com deficiência visual. Foi inventado pelo francês Louis Braille em 1827.
No Brasil, a primeira Bíblia em Braile foi lançada em 30 de novembro de 2002 pela Sociedade Bíblica do Brasil. Essa Bíblia é composta por vários volumes e está disponível na Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Pessoas, bibliotecas e instituições de apoio podem se cadastrar nos programas sociais da SBB e receber os volumes gratuitamente.
4.      A linguagem brasileira de sinais, ou Libras. É um sistema linguístico que comunica fatos, conceitos e sentimentos por meio de gestos, expressões faciais e linguagem corporal. Essa língua, que possui regras gramaticais próprias, é a usada pela maioria das pessoas com deficiência auditiva no Brasil, com pequenas variações regionais. Na igreja, os cultos e aulas de Escola Dominical podem ser facilmente traduzidos à linguagem brasileira de sinais por um obreiro treinado. Ações evangelísticas em hospitais e centros de apoio às pessoas com deficiência auditiva também podem ser realizadas de forma mais proveitosa se os crentes enviados souberem transmitir as Boas-Novas em Libras. O acesso ao aprendizado das Libras felizmente é facilitado pela internet. É possível achar bons manuais, dicionários de Libras e vídeo-aulas gratuitos. A professora Siléia Chiquini, da Assembleia de Deus em Curitiba, vem desenvolvendo um grande trabalho junto aos surdos, por meio do Ministério Mãos Ungidas. Na internet, ela compartilha seu trabalho e experiência com os que desejam fazer a voz divina bem audível aos que não podem ouvir a voz humana.
5.      O professor mediador. A m de que o ensino bíblico seja inclusivo, as classes de Escola Dominical não devem agrupar, em uma sala à parte, as pessoas com deficiência, ou com transtornos que dificultem o aprendizado. Entretanto, os alunos com deficiência precisam, em sua maioria, de maior atenção e cuidados. Nesse processo, o professor mediador é o responsável por adaptar à realidade do aluno com deficiência o conteúdo que o professor regente transmite à classe e as atividades realizadas pelos demais educandos. O mediador deve considerar a limitação do aluno especial, o seu ritmo e estilo de aprendizagem. Esse profissional também é responsável por facilitar a interação social do aluno com deficiência, evitando que que isolado dos demais. Se o nosso objetivo é incluir a todos, devemos estimular e treinar pedagogos, ditadas e obreiros a que se dediquem a esse ministério. É uma tarefa que demanda não apenas conhecimentos bíblicos, mas igualmente instruções pedagógicas, didáticas e psicológicas específicas. Hoje, graças a Deus, contamos com profissionais competentes entre os membros de nossas igrejas, que muito poderão ajudar-nos no cumprimento dessa missão. Portanto, ninguém cará de fora do Plano da Salvação.

      Extraído do Livro de Apoio para a EBD - Os desafios da Evangelização, Claudionor de Andrade.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016



Pessoas com Deficiências também Carecem da Salvação

A inclusão de pessoas com deficiência não deve ser vista apenas como política pública, mas como a maior expressão do amor de Deus. Porque o Pai Celeste, amando-nos como nos ama, enviou o seu Filho ao mundo, para que todos viéssemos experimentar a salvação em sua plenitude. Iniciaremos este tópico, buscando uma definição que descreva corretamente a pessoa com deficiência.

1.    Definição. Pessoa com deficiência é a que se acha privada quer de seus sentidos, quer de seus movimentos, ou do pleno uso de suas faculdades mentais. Nessa definição acham-se os cegos, mudos, surdos, paraplégicos e tetraplégicos, os autistas e os que têm a síndrome de Down. Deveríamos incluir, também, os que se encontram acometidos pela doença de Alzheimer. Aliás, com o envelhecimento da população, cresce o número de idosos que, mais cedo ou mais tarde, poderão apresentar algum tipo de deficiência. Por isso, estejamos atentos aos anciãos, entre os quais faremos preciosas colheitas para a Seara do Mestre. Segundo a Organização Mundial de Saúde, “deficiência é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica”.

2.    Nem inaptos nem desculpáveis. No que tange à salvação das pessoas com deficiências, ou limitações, há pelo menos dois posicionamentos errados. O primeiro é o que não as contempla como alvo do evangelho e aptas a servirem a Deus. Simplesmente não se ocupa delas e não as incluem nos projetos evangelísticos. O segundo é o que as vê como desculpáveis e já santificadas pelo sofrimento. No passado, certos enfermos suscitavam compaixão e chegavam a ser chamados de “santinhos”. E, para reverenciá-los, algumas pessoas tocavam-nos como se deles pudessem receber alguma virtude. Enganosamente, muitos veem como não condenáveis os indivíduos com deficiências, ou limitações, como se a entrada no céu lhes fosse franqueada em compensação das dificuldades enfrentadas na vida terrena. Mas a Palavra de Deus é clara: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Com ou sem deficiências, todos nascemos pecadores e estamos “debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se zeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.1012). Infelizmente, achar que os indivíduos mental ou fisicamente limitados não carregam, em si, a natureza de Adão é mais cômodo, porque libera a igreja da tarefa de evangelizá-los e integrá-los espiritual e socialmente ao corpo de Cristo. Eis, portanto, um desafio que enfrentaremos com amor e prontidão. Sei que a tarefa não é fácil, pois a evangelização das pessoas com deficiência requer esforços concentrados e específicos. No entanto, temos de falar de Cristo aos que não ouvem, mostrar as belezas da vida cristã aos que não veem, apontar o caminho da salvação aos que não conseguem andar e discorrer sobre a razão da nossa fé aos que não logram pensar com clareza. Esta é a nossa missão: tornar o evangelho acessível a todos, inclusive aos que trazem alguma deficiência. Ajamos, pois, como seus olhos, ouvidos, boca e pernas, pois assim agiu o Senhor Jesus em seu ministério terreno.

3.    Carentes e ao alcance da graça. A verdade é que todos precisam ser alcançados pelas Boas Novas: os que enxergam bem, os que veem pouco e os que nada veem; os que escutam e falam, os que não ouvem nem falam; os que aprendem rápido e os que precisam de mais tempo para aprender; os que caminham com as próprias pernas e os que usam cadeiras de rodas, próteses ou muletas; os autistas, aqueles com síndrome de Down, com dislexia, com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, com paralisia cerebral, epilepsia... Todos devem ser conscientizados de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Nesse sentido, cabe-nos uma reflexão. Se o governo, com suas políticas ineficazes e, às vezes, fundamentadas em ideologias contrárias ao cristianismo, busca integrar as pessoas com deficiência à sociedade, por que deixaríamos nós, a Igreja de Cristo, de cumprir nossa obrigação? Além do mais, o Senhor Jesus adverte-nos seriamente a respeito de nossa inércia evangelística: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20, ARA). O que isso significa? Antes de tudo, que devemos fazer um trabalho de comprovada excelência; um trabalho que venha a exceder, em muito, ao que o Estado diz realizar.

Extraído do Livro: O desafio da Evangelização - Claudionor de Andrade.